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Yvan Bourgnon – a verdadeira aventura

on Friday, 12 June 2015. Posted in Rotas Oceânicas

Yvan Bourgnon – a verdadeira aventura

Sozinho a bordo de um catamarã desportivo com 6,3 metros de comprimento, o skipper suíço Yvan Bourgnon está prestes a completar uma inédita volta ao mundo que teve início em Les Sables d'Olonne a 25 de Outubro de 2013. Numa escala imprevista em Cascais, ele contou um pouco da sua façanha marítima de mais de 50.000 km percorridos apenas com o auxílio de um sextante e sem qualquer assistência externa na navegação.

Foto - DR

«Já são 20 meses de navegação e 50.000 km percorridos por todos os oceanos desde a partida de Les Sables d'Olonne a 25 de Outubro de 2013. Houve muitos revéses – o co-skipper Vincent Beauvarlet desistiu do projeto na 2ª escala da rota nas Canárias, apanhei sete grandes tempestades, ocorreram três colisões com navios de carga e barcos de pesca desde a escala em Djibouti, a nordeste de África, sendo a mais recente na passagem por Gibraltar há poucos dias e que resultou em avaria na vela-balão, daí a escala em Cascais para consertá-la.» revela Yvan Bourgnon candidamente.

O skipper suíço, que conta no seu currículo com uma vitória na regata transatlântica Jacques-Vabre, começou a velejar ainda criança com a família – tendo completado uma volta ao mundo com tenra idade. É um aficionado por multicascos desde os 14 anos como o irmão Laurent Bourgnon, que foi o primeiro velejador a cruzar o Atlântico a bordo de um Hobie Cat 18, aos 20 anos de idade, em 1986 e consagrou-se como bicampeão da Rota du Rhum.

«Quis fazer esta viagem a solo num catamarã desportivo porque acho que já não há aventura no desporto à vela. Quis trazer de volta a aventura, regressar aos barcos de pequeno porte e tentar fazer novas coisas, novos desafios. Decidi usar apenas o sextante nesta circum-navegação porque queria uma navegação pura, sem GPS, sem previsão do tempo via satélite, sem computadores, sem nada.» frisa ele dizendo que entretanto aprecia a tecnologia mas quis fazer uma viagem mais aventureira, diferente.

«Eu faço isto porque quero, porque é meu barco, minha aventura. Sei bem que há riscos envolvidos, mas não navego por causa dos riscos mas para poder ver coisas maravilhosas.», afirma Bourgnon que no entanto tornou-se um náufrago no oceano Índico.

«Quando parti de Bali para a travessia do oceano Índico – cerca de 2.700 milhas de rota em direção à Maldivas – tive avarias no barco, especialmente num dos cabos que sustentam o mastro, o que me obrigou a subir ao mastro para consertar. Além disso a transição dos ventos de monção complicaram imenso a navegação até a perto do Equador. Quando me aproximava do porto de Galle, no Sri Lanka, ativei o piloto automático a fim de dormir um pouco e acordei num susto ao ser atirado para fora do barco pelas vagas gigantescas a quebrarem contra as rochas.», recorda ele que milagrosamente escapou ileso.

Com o barco destruído pelo mar quando faltavam apenas 5.000 milhas para percorrer em águas mais protegidas (Mar Vermelho e Mediterrâneo) antes de alcançar a meta final na costa atlântica francesa, Yvan que já havia atravessado três oceanos completando 3/4da sua rota, enfrentando tempestades com ventos de mais de 100 km/h, via-se naquele momento sem um barco para continuar a viagem.

Regressando à Suíça e França, o skipper solitário lançou-se numa intensa campanha em busca de novos patrocinadores, apoiado pelo seu parceiro administrativo - enavanttoute.ch – e também a Forward Sailing. Com o novo financiamento garantido, Yvan construiu um novo protótipo no estaleiro Shoreteam em Caen, França, e completou a armação do catamarã em Fevereiro de 2015, quando o novo barco foi então enviado por navio para o sul do Sri Lanka, onde o skipper retomou a rota em finais de Março de 2015.

Ele conseguiu cruzar o restante do oceano Índico, navegou pelo mar Vermelho, passou pelo canal de Suez, alcançou o Mediterrâneo, fez escala em Malta e apanhou um valente susto até chegar ao estreito de Gibraltar – a colisão à meio da noite com um navio de carga que quase sugou seu barco no meio nas ondas. «A vela-balão rasgou-se toda e foi uma dificuldade safar a situação pois as ondas causadas pelo navio quase que submergiram o meu barco.», recorda ele dizendo que decidiu então fazer uma escala em Cascais onde sabia que encontraria apoio técnico, como de fato encontrou no representante da velaria North Sails em Portugal, Vicente Pinheiro.

Com uma caixa de cerejas frescas na mão e uma tranquilidade desarmante, o skipper suíço que passou por tantas peripécias oceânicas partiu discretamente de Cascais na Sexta-feira à tarde. No primeiro comunicado gritava sua alegria a navegar com ventos de 25 nós e um belo sol a entardecer na costa portuguesa. Feliz segue ele agora para o porto de Ouistreham, a norte de Les Sables d'Olonne, França. A volta ao mundo já está cumprida quando há dias cruzou a latitude da sua própria rota inicial.

O catamarã desportivo

Com uma conceção 'high-tech, o catamarã de 6,3 metros de comprimento é leve, sólido, eficaz e fiável. Foi construído em fibra de vidro, fibra de carbono e compósitos e desenhado por especialistas em hidrodinâmica naval do centro de estudos A. Denn Askel, que concebeu os trimarãs para a America's Cup em 2010.

Ficha técnica

Comprimento – 6,3 metros

Largura – 4 metros

Borda livre – 60 cm

Altura do mastro 12 metros

Deslocamento – 360 kg

Vela grande – 25 metros quadrados

Vela balão – 50 metros quadrados

Total de velas – 5

Material embarcado – 130 kg

Equipamento – 170 kg

Rota

Les Sables d'Olonne, França

La Coruña – 1ª escala

Agadir – escala técnica e descanso depois de 9 dias no mar.

Canárias – Las Palmas – tripulante abandonou o projeto

Martinica

1º capotamento à noite a caminho do Panamá

Panamá

canal do Panamá

ilhas Galápagos – Fevereiro 2014

ilhas Marquesas

Taiti – encontro com o irmão Laurent

Bora bora

O barco que servia de plataforma de media, um veleiro X-562, sofre avaria - quebra da retranca – e não pode acompanhar mais o skipper suíço para as filmagens da viagem rumo a Fiji e Yvan altera a rota para a ilha Pago-Pago, onde o conserto seria possível.

Samoa

Fiji

Vanuatu

Escala técnica na ilha deserta de Mellish Reef para consertar o leme

Darwin, Australia

Bali

Sri Lanka – o naufrágio

2ª partida com o barco novo

Maldivas

Djibouti

Mar Vermelho

canal de Suez

Mediterrâneo

Malta

estreito de Gibraltar

Cascais

meta – Ouistreham, França

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